A segunda metade do século vinte foi marcada pelo avanço das tecnologias. Na saúde mental os diagnósticos e tratamentos ficaram cada vez mais precisos e precoces. E de onde vêm tantos transtornos mentais e síndromes que ouvimos falar? Há hoje no CID* e no DSM* mais de 500 tipos descritos. Já parou p/ pensar que facilmente podemos nos identificar com muitos sintomas e diagnósticos em algum momento da nossa vida? Isso já lhe aconteceu?
O CID e o DSM são a tentativa da medicina em abordar as doenças e os transtornos mentais dentro de um padrão mundial. Isso proporcionou avanços importantes nas pesquisas da indústria farmacêutica. Porém, na sociedade atual em que ser feliz torna-se quase uma obrigação e o tempo é quase sempre urgente, consolidou-se a cultura da medicalização, que, quando excessiva e protagonista, acaba por encobrir a dimensão humana dos sintomas, dificultando o “querer saber” sobre as nossas questões pessoais.
Atualmente, há uma facilidade imensa para acessar informações médicas na internet, o que pode provocar ansiedade e o medicar-se por conta própria. Afinal, os medicamentos passam uma ideia de alívio rápido, seja para uma crise de angústia, tristeza e tantos sofrimentos. Mas eles não agem sobre a origem/“causa”. Por exemplo, sabia que cada vez mais chegam ao consultório pessoas dependentes de ansiolíticos para dormir? Só com medicamento não cuidamos da causa da ansiedade, preocupação e das perturbações do sono.
Por isso é tão importante o acolhimento e a intervenção da psicologia em conjunto com a medicina para uma escuta atenta do indivíduo que sofre. A intenção deste texto é pensar de onde vem essa forma de nomear o sofrimento e de lidar com a nossa saúde mental. Houve alguma identificação com o que foi falado aqui? No próximo texto – PARTE II – falo da importância da psicologia e das terapias não farmacológicas aliadas à medicina.
*CID: Classificação Internacional de Doenças e de Problemas Relacionados à Saúde;
*DSM: Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais.
O texto acima não resume nenhum diagnóstico e tratamento. Cada indivíduo precisar ser escutado na dimensão única do seu sofrimento. Procure um profissional.


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